Como sobreviver à loucura natalícia

Vamos ser realistas, toda a época das festas é muito stressante. Uma correria desenfreada entre presentes, festas, decorações, cozinha, embrulhos, laços, cartões, doces, viagens... E neste pacote ainda podemos incluir as cartas ao Pai Natal.

Enquanto uma parte de nós se ilumina com a euforia das festas animadas, as decorações elegantes, os petiscos deliciosos, toda a magia das luzes e dos aromas que enchem o ar... A outra já só tem vontade de se arrastar, na tentativa de conseguir sobreviver à loucura Natalícia.

Para complicar o panorama, temos sobre nós o peso da ilusão dos Natais perfeitos, saídos do imaginário literário, familiar, cinematográfico ou pior ainda, das redes sociais!

É difícil não sentir alguma decepção quando as expectativas estão tão altas.

Esta perfeição utópica povoa o nosso inconsciente e faz-nos sentir frustrados por não termos o tempo, os meios e a paciência para o alcançarmos.

À medida que o Natal se aproxima, começamos a antecipar o desencanto e a irritação que tudo isto nos vai causar, criando-lhe uma aversão injustificada.

Não queremos que percam a alegria e a magia do Natal, afinal é a época mais radiante. Por isso vamos deixar-vos algumas de sugestões de como manter o equilíbrio entre o espírito e a loucura Natalícia.

 

1 | BAIXAR AS EXPECTATIVAS

 

Menos, muito menos expectativas! Sabemos que é mais fácil falar do que fazer, mas ponham de lado a ideia do “Natal Perfeito”... porque simplesmente, não existe.

A menos que fossemos todos impecavelmente programados, uma espécie de fusão entre Ursinhos Carinhosos e Martha Stewart, com a fortuna do Bill Gates e a pose da Família Real Inglesa... e mesmo assim, temos as nossas dúvidas.

Pode ser um bocadinho menos perfeito e mesmo assim ser maravilhoso, verdade?

Acima de tudo porque é o nosso! Com tudo o que de bom (e de menos bom) isso implica, mas é um Natal inteiro, só nosso, de corpo e alma.

 

2 | ESTAR PRESENTE

 

Passamos metade dos dias a reviver e a tentar redesenhar (vezes sem conta) as coisas que já passaram e a outra metade a inquietar-nos com o que aí vem. Saltamos obstinadamente do passado para o futuro, sem percebermos que o agora é tudo o que realmente temos.

Permitam-se estar presentes, aqui e agora, sintam, vivam e apreciem com todos os vossos sentidos.

Ao contrário do que pensamos, a vida não é uma “rat race”.

Vivam com calma, devagar... O Natal é para estar, partilhar, saborear e desfrutar daquilo e daqueles que mais gostamos.

Todos os anos, o Natal voa sem darmos conta e nunca usufruímos dele como gostaríamos (pois passamos a maior parte do tempo “noutra realidade”)... Mas este ano vai ser diferente, prometem?

 

3 | DIZER NÃO ÀS COISAS QUE NÃO QUEREMOS FAZER

 

Durante todo o ano, mas especialmente nesta altura, temos um rol infinito de tarefas e compromissos que temos de cumprir. A “tradição” sempre a “tradição”. Mas quando algumas

das tradições já não nos fazem qualquer sentido? Porquê não criar as nossas próprias tradições?

Perdemos tempo e paciência com “obrigações” secundárias que não nos trazem qualquer aconchego ou felicidade. Parem, respirem e tentem separar o “trigo do joio”. É preferível fazer as escolhas certas, recusar educadamente alguns convites e desenhar a nossa própria história.

Todas as vezes que dizem sim às coisas que não querem fazer, estão também a dizer não às coisas que realmente são importantes para vocês. O nosso tempo é precioso, pensem nisso!

 

4 | DAR VALOR AO QUE TEMOS


É tão fácil darmos por garantido aquilo que temos na nossa vida. Só quando perdemos as coisas que nos são mais importantes, é que lhes damos o seu real valor.

E neste paradigma podemos incluir variáveis tão abrangentes como a saúde, família, amigos, autonomia, estabilidade, conforto, confiança, mobilidade, vitalidade... todas as pequenas e grandes coisas que fazem parte da nossa essência.

Sermos conscientes e gratos por aquilo que temos agora, é um enorme estímulo para o nosso estado de espírito. Quando nos sentimos gratos, conseguimos criar novas perspectivas sobre o mundo que nos rodeia e reconhecer possibilidades, até então inexistentes.

Nesta época ficamos especialmente sensíveis e imersos no sofrimento que todas as perdas que já tivemos, nos fazem sentir. Por muito difícil que possa parecer, tentem mudar o foco do vosso pensamento, transformá-lo.

No final de cada dia, tirem uns minutos para agradecer (só para vocês) 3 coisas boas que tenham na vossa vida. Sintam a diferença! Aceitam o desafio?

 

5 | UMA COISA DE CADA VEZ

 

Desfrutem ao máximo do tempo que estão com aqueles de quem mais gostam, desliguem o telefone e outros estímulos desnecessários, aproveitem cada minuto.

Esqueçam a falácia do multitasking. Permitam-se fazer uma coisa de cada vez, sem culpas e sem stress.

Simplificar a forma como encaramos e lidamos com a toda a época das festas, permite-nos ganhar tempo e espaço para relaxar e usufruir das pessoas à nossa volta.

O melhor presente que podemos dar, é estarmos totalmente presentes, de corpo e alma.

Sem estarmos a pensar nos relatórios que temos para fazer, na roupa que temos para lavar ou a dar “aquele olhinho” inoportuno no Instagram...

Isto permite-nos encontrar o equilíbrio que precisamos, não apenas para sobreviver à fúria Natalícia, mas também, para nos podermos divertir genuinamente.

 

6 | COMPRAS CRIATIVAS E CONSCIENTES

 

Todos os anos, invariavelmente, temos sempre a pavorosa saga da correria pelas lojas e centros comerciais em busca de uma qualquer tralha para oferecer, porque ainda nos faltam 285730 presentes para comprar.

Este ano vamos tentar ser mais conscientes e criativos! Ofereçam Experiências e não Objectos.

Se queremos tornar alguém mais feliz, a ciência tem um conselho bem claro: é melhor investir numa experiência do que no último telefone topo de gama.

Existem várias razões pelas quais as experiências nos tornam mais felizes... são momentos únicos e especiais, muitas vezes partilhados com quem mais gostamos, que nos estimulam a curiosidade, a criatividade e as emoções.

Uma experiência fica guardada eternamente na memória, um objecto é facilmente atirado para o fundo de uma gaveta e esquecido.

Então o que oferecemos? Há tanto por onde escolher... bilhetes para o teatro, um jantar romântico, uma massagem relaxante, o workshop tão esperado, o espectáculo preferido, um passeio surpreendente ou um dia num parque de diversões. As opções são infinitas!

Uma experiência tem muito mais significado, entusiasmo e criatividade do que simplesmente entrar numa loja e tirar um objecto da prateleira. Experimentem, todos vão adorar e o planeta também!

O Natal é uma altura maravilhosa, o segredo é simplificar, respirar e desfrutar.

Deixem-se inspirar, não se vão arrepender.

Diana de Almeida Rafael
THE MINIMAL MAGAZINE | www.theminimalmag.com