Coerência nas relações amorosas

O tipo de relações que mantivemos e os padrões que criamos para nós geraram sensações no corpo físico e emocional onde a mente ficou presa e se alimenta. São essas sensações que impulsionam a nossa vida e são perpetuadas de vida para vida através da lei da atração. A necessidade do inconsciente de repetição e criação das mesmas sensações nesta vida é que vai criar o padrão emocional e a forma de pensar e agir perante determinadas circunstâncias.

É impossível termos uma vida que não seja o reflexo do nosso mundo interior. No caso da relação amorosa ela é, sem duvida, o reflexo da lealdade, intimidade, necessidade de presença, Amor, respeito, dedicação e compaixão que praticamos para connosco.

É um privilégio entender que tudo o que acontece na nossa vida amorosa reflete não apenas o Amor e respeito que temos por nós próprios mas também a forma como tomamos a Vida dos nossos Pais e, no caso de os ter, dos nossos irmãos mais velhos.

Ser coerente nas relações amorosas será permitir e dar ao outro a mesma liberdade interna que precisamos para nós.

Ser coerente nas relações amorosas será não pedir ao outro que preencha ou repare o que trazemos de trás e não queremos ver ou confrontar.

Ser coerente nas relações amorosas será assumir a nossa parte de responsabilidade no que sentimos não estar harmonizado e pacificado.

Ser coerente nas relações amorosas é não esperar que o outro seja o que precisamos ou queremos que seja e assumir que o que nos dói denuncia a parte de nós que não cuidámos e amámos o suficiente.

Ser coerente nas relações amorosas será assumir o outro como um espelho perfeito de nós mesmos e aproveitar tudo o que é denunciado para observar, sem reagir, de forma a conseguir Amar a parte de nós que ainda não consegue estar inteira na relação.

Tomar a Vida e o Amor dos nossos Pais e irmãos mais velhos tal qual eles SÃO é abrirmos o nosso coração à abundância que se manifesta em todo o lado e por onde andamos.

Na verdade e nesta Vida, os Pais dão a VIDA e um pouco mais. E nós fazemos do pouco mais o tudo e do TUDO (que foi a Vida que nos deram) o pouco! Enquanto não conseguirmos viver em coerência com esse movimento interno, tomar a vida dos Pais com tudo o que eles SÃO, estaremos a esperar e a exigir dos outros o que sentimos que ainda não tomamos para nós. Nesse momento transformamo-nos em crianças e andaremos à procura de um relacionamento que compense o Pai ou a Mãe. Não há parceiro que suporte a pressão de ser algo que nunca conseguirá ser. É pouco justo para essa pessoa pedir-lhe tamanha proeza. Com o tempo ela irá denunciar falta de reconhecimento e a sensação, de que, faça o que fizer, nunca estará à altura.

Por último e não menos importantes são os nossos vários corpos energéticos. Num relacionamento amoroso existe a necessidade de experiênciar e harmonizar a relação connosco próprios e com o outro a quatro níveis: no corpo físico, no corpo emocional, no corpo mental e no corpo espiritual.

É um grande desafio conseguir ter coerência e harmonia entre os vários corpos de forma consciente por isso existem também tantos atritos nos relacionamentos. Basta um desses corpos não estar alinhado connosco e com o outro, para o conflito acontecer e se gerarem julgamentos e mal entendidos.

Estar em relação é um privilégio enorme porque nos permite assumir a nossa parte de responsabilidade no jogo de espelhos que é a MAGIA deste lugar onde escolhemos estar. 

Bem-haja à Vida!

Maria Gorjão Henriques

Revista Progredir - Maio 2018