Quarentena

Neste período de quarentena a que todos fomos convocados, por algum desígnio de força maior quis o destino que acontecesse durante a quarentena da Páscoa. Não deixa de ser interessante esta relação tão profunda quando vivemos (no nosso caso) numa sociedade católica.

Entrámos num tempo de recolhimento, de quietude e de observarmos e reaprendermos a viver a partir do nosso interior. Por isso mesmo, estamos todos confinados à nossa casa. Ao nosso templo sagrado. Ao nosso Corpo. Para isso é preciso parar e criar condições para escutar o nosso silencio e ter a coragem de escutar o nosso ruído interno que mora e se esconde para lá desse primeiro aparente silencio. Resistir ao convite e à vertigem de continuarmos através das redes sociais a sermos tomados e absorvidos pelo circunstancias exteriores. A verdade é que o frenesim das obrigações e de tudo o que é urgente, mas não necessariamente importante, está, aos poucos, a acalmar e a mostra-nos o Essencial.

É tempo de voltar para dentro, é tempo de cuidarmos de nós, é tempo de criar espaço para deixar entrar a primavera dentro de cada um de nós e assim renascermos para uma nova etapa do ciclo da nossa existência onde os valores Humanos, o tempo, o espaço e a nossa capacidade de presença nos transforma a Vida para desabrochar um novo Jardim interno – a expressão da nossa Alma e da nossa verdade e sensibilidade. Como posso ver o outro e entende-lo se não me vejo a mim? Como posso ser empático e praticar a compaixão se não me sinto e não me cuido! Estamos a entrar numa nova Era onde somos todos chamados a aprender a ser Seres Humanos e não corpos humanos a cumprir funções e tomados e centrifugados pelo ritmo do exterior que na verdade representa a nossa inquietude e insatisfação interior.

 

Chegou o tempo de parar para cuidar, de ouvir para escutar, de olhar para ver, de trocar o fazer pelo Ser!

Desejo a todos uma quarentena tranquila, com espaço e momentos de quietude e Amor, muito Amor por nós e depois pelo próximo!

Maria Gorjão Henriques