Um novo Olhar nos Relacionamentos

Propomos-lhe fazermos uma viagem autobiográfica onde poderá visitar os vários relacionamentos que teve na sua vida até hoje e fazer um exercício que lhe poderá permitir abrir um Novo olhar sobre si próprio e sobre a razão pela qual tem vindo a atrair determinado tipo de padrões emocionais.

Numa folha dividida em três colunas experimente escrever na 1ª coluna, o nome das pessoas com quem teve relacionamentos significativos por ordem cronológica desde a sua infância. No fim ou numa folha à parte acrescenta o nome do seu Pai e da sua Mãe.

Em frente a cada nome vai escrever na 2ª coluna, o que foi vivenciado de forma mais positiva designadamente os recursos, as qualidades, forças e atributos que essa relação tinha ou tem.

Na 3ª coluna vai escrever as suas queixas, o que sente falta que o outro não faz, o que irrita, o que é motivo de discussão, o que provoca mau estar e desejo de fuga, agressão verbal, incompreensão ou sensação de solidão, entre muitos outros…

Lembre-se que o fator crítico de sucesso deste exercício é investir de forma responsável e séria o seu tempo na construção dessa matriz. Ir escrevendo sem olhar para trás e não reler as informações que já foram expressas na relação anterior. Se conseguir fazer esta matriz em vários dias, tanto melhor! É natural que vá encontrando o mesmo tipo de sentimento pelas várias relações. Não deixe de escrever o que é verdadeiro para aquela relação específica e não se deixe influenciar pelo que já escreveu anteriormente.

Quando o trabalho estiver concluído, vai ler apenas a 3ª coluna e verificar se existem pontos comuns, informações idênticas que se tornem transversais aos vários relacionamentos. Queixas semelhantes, sensações semelhantes… como se algumas das pessoas mencionadas acabassem por ter mais ou menos o mesmo perfil (sugiro que só leia o resto deste artigo depois de concluir o seu trabalho de casa).

Nessa altura e depois de bem identificado um ou dois temas que estão como pano de fundo das várias relações (apenas como exemplo: sentir que não é visto/a ou sentir que não é valorizado/a) vai observar esse sentimento e verificar se ele está presente na sua relação com algum elemento da sua família de origem? Com QUEM da sua família de origem sente ou já sentiu exatamente a mesma sensação? Que idade tinha quando teve a primeira experiencia desse sentimento específico?

Essa experiência vivida vai condicionar toda a forma como nos relacionamos dai em diante. Todos os relacionamentos que entretanto vamos atraindo existem para nos proporcionar a lembrança do padrão, a oportunidade de lidar, recordar e transmutar o padrão que é único e exclusivamente nosso! Por conseguinte, todas as pessoas que atraímos são na verdade um espelho da parte de alma que perdemos quando na primeira experiencia não optamos por dizer Sim a nós próprios, não decidimos pela lealdade a nós próprios, cedendo e deixando para trás um recurso que nos é essencial para viver! E é exatamente esse recurso que deixamos para trás a razão da nossa queixa com o outro. Na verdade o outro é um espelho perfeito do meu relacionamento comigo próprio/a!

Também pode acontecer esse sentimento aparecer de forma indireta e mais subtil quando estamos na presença de uma repetição de um padrão familiar. Nessa altura a pergunta é: QUEM na família de origem vivia ou vive o mesmo sentimento? QUEM vive com as mesmas queixas? Existe alguma identificação e repetição do padrão?

Muitas vezes assumimos o padrão da Mãe ou do Pai como forma de equilibrar o nosso sistema de origem. Observamos, sentimos a vida familiar e tentamos equilibrar criando uma lealdade inconsciente à figura parental que percecionamos como o “elo mais fraco”. A verdade é que acabamos por pagar um preço muito alto porque ao nos identificarmos e tomarmos esse padrão para nós acabamos por ficar presos na teia e mais tarde ou mais cedo vamos vivê-lo, tornando-o verdadeiro na nossa própria vida!

Um Novo Olhar é assumirmos de forma consciente que as queixas que temos na relação a dois são na verdade a forma que criámos, neste mundo dual, de identificarmos as partes de nós, os recursos que deixamos de viver através de situações traumáticas que criaram um padrão mental e uma resposta emocional e física que nos desvia da nossa verdadeira natureza como seres espirituais que somos! A solução é observar e voltar à origem da criação do padrão mental e libertar a energia que lá ficou presa de forma a ampliar a nossa consciência e, como observadores na impermanência da vida, libertar também a energia contida tanto no corpo emocional como no nosso corpo físico.

Bem haja e grata à Vida!